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Geekology: o pulo do Mario

Queridos geeks, hoje resolvemos falar de algo que muitas vezes passa despercebido por nós, que crescemos dentro do universo dos games: o pulo do Mario. Afinal, fomos alfabetizados dentro da linguagem do videogame; antes mesmo de sabermos falar um bom português, já estávamos com um joystick na mão. Hoje em dia, apesar de a nossa geração discutir o conceito de arte em games, ganhar milhões de dólares no universo dos games, seja no League of Legends ou o exemplo do jovem bem-sucedido Igor Kurganov em outros jogos, todos nós provavelmente começamos nesse mesmo lugar: colocando o personagem da Nintendo para pular.

O encanador italiano mais conhecido de todos os tempos, como a maioria dos geeks aqui deve saber, começou sua trajetória há mais de 30 anos, no já distante ano de 1981, no jogo Donkey Kong. Foi lá que Mario (ou Jumpman, como era chamado) deu seus primeiros pulos, e é esse mesmo pulo que o mantém como uma das maiores franquias da indústria.

Mario no jogo Donkey Kong

Primeiramente, todo e qualquer jogo do Mario é sobre pular. Já parou para pensar nisso? Nada, absolutamente nada que acontece nos jogos não passa pela habilidade de pulo. É a mecânica básica do jogo; o ponto de partida de toda e qualquer interação que o personagem tem com o mundo ao seu redor. Seja para conseguir moedas, interagir com blocos, derrotar inimigos, o pulo é a forma que Mario faz tudo que deve fazer. No universo dos jogos, essa mecânica básica é chamada normalmente de “verbo”. O verbo nada mais é do que a reação no jogo de um comando específico de um botão. Se eu aperto A e o personagem pula, este é meu verbo.

É justamente por causa desse verbo tão básico, pelo menos na nossa visão de gamers mais experientes, que a franquia da Nintendo se mantém até hoje como um dos gigantes da indústria. Afinal, se é só sobre o pulo, o que muda de jogo em jogo? Bom, certamente não é uma profundidade narrativa, ou uma mudança drástica no tom e gênero de cada parte da franquia. Não vai ser um Super Mario no estilo de Grand Theft Auto que vai trazer a novidade para cada título do catálogo do personagem.

Mario pulando Super Mario Bros Snes

O grande mérito desse verbo tão simples é sua versatilidade. Tudo bem, que você ao apertar A faz o Mario pular nós já entendemos. Só que se você apertar A por mais tempo, ele pula mais alto. Se você aperta duas vezes em sucessão, ele pula duas vezes. Se combinar com outro movimento, ele dá uma “bundada” no chão. O verbo em si – A para pular – faz muito pouco. É a essência do jogo, mas porque estes verbos se misturam com todas as outras variáveis, como outros verbos e direcionais, por exemplo, temos um leque gigantesco de ferramentas para aplicar em cada situação apresentada pelo jogo. É essa versatilidade de uma mecânica tão básica e enraizada na construção do jogo que faz do principal mascote da Nintendo um gigante no universo dos games.

Mais do que a versatilidade, os desenvolvedores da Nintendo tem uma coisa crucial em mente: entender e saber fazer todas as combinações desse verbo não são cruciais para que um jogador conclua um determinado jogo. Um entendimento básico do pulo permite que todos aqueles que se interessarem pelo jogo possam terminá-lo. O entendimento avançado, a precisão na execução dos movimentos são um bônus para os que estão dispostos a investir mais tempo na compreensão do jogo, seja para conseguir todas as estrelas no Super Mario Galaxy, ou para abrir todos os caminhos da estrela (Star Road) no Super Mario World.

Mario 3D

O pulo do Mario nada mais é do que uma mecânica simples encrustada tão profundamente dentro do conceito narrativo da série que se torna quase imperceptível. Pular é, e sempre será, a forma de Mario conhecer o mundo e vencer os seus obstáculos. A cada item que o Mario coleciona, seja a pena, ou o cogumelo, o pulo dele vai se modificar, seja no alcance ou duração, e só isso já adiciona uma nova dinâmica àquele momento do jogo.

Esse simples verbo é a definição do que é o Mario, e através das décadas, só vimos mais e mais variáveis em cima dessa mecânica essencial. Mal posso esperar pelas novas formas de abordagem que os brilhantes desenvolvedores da Nintendo trarão para essa mecânica tão consagrada.

Curtiu o post de hoje sobre a importância e versatilidade do pulo do Mario? Conte mais curiosidades, compartilhe a sua opinião, deixe sugestões para o próximo Geekology! Quer um pouco mais da obra? Aqui no Geek Vox já rolou até galeria de fotos do backstage da produção, confere aqui no link.

Geekology – Hayao Miyazaki

Olá geeks! Olá Japão!

Você conhece o diretor de animação japonês mais respeitado do mundo? Não?
Então vamos dar uma passada na fucking awesome carreira de HAYAO MIYAZAKI!

As animações do Sr. Hayao usam temas presentes no nosso cotidiano, como a relação entre a humanidade, a natureza, as crenças, a tecnologia e o pacifismo. É bem visível a cultura de seu país em suas animações, não só com o tema guerra, mas com as religiões e crenças. Levando em consideração todos os conflitos ambientais e culturais do Japão globalizado, Hayao tende a retomar as raízes de sua nação com lições simples para quem acompanha seu trabalho.
É de grande destaque em suas animações as personagens femininas, que são fortes, determinadas e inteligentes, ao passo que sofrem com conflitos internos de personalidade, mas sempre acabam fazendo a coisa certa.
Vemos também os dois lados, natureza e tecnologia sempre tentando coexistir em conflitos que Hayao mostra as vantagens e desvantagens de ambos, sendo que o resultado é o equilíbrio.
Outra grande característica que contrasta bastante com o que a cultura do ocidente está acostumada é a inexistência de vilões propriamente malvados e sem coração, como nas HQs de super heróis. Nas animações de Hayao, os vilões têm pontos de vista diferentes, o suficiente para encher de aventura suas tramas.

Para o sufoco de muitos fãs, Hayao anunciou várias vezes sua aposentadoria, mas sempre se rendia e voltava para dirigir mais uma das suas grandes obras. Em 1982, escreveu um mangá, Kaze no tani no Naushika, que traz todas as características do animador explícitas ao longo da história. O mangá fez tanto sucesso que foi produzido por Isao Takahata, animado pela produtora Topcraft e lançado em 1984. Depois de todo o sucesso conquistado, Hayao teve o impulso que precisava para abrir seu próprio estúdio de animação: o Estúdio Ghibli.
Depois de ficar famoso no Japão, nossa velha conhecida Disney fez uma parceria com o Estúdio Ghibli, chamada de Disney-Tokuma, que toma conta de toda a distribuição mundial das obras de Hayao.

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Sr. Hayao

Tapa na cara da sociedade que acha que animação feita do jeito clássico está acabada. Hayao é grande defensor da arte de fazer desenhos animados do jeito clássico, entrando em choque com os grandes estúdios que usam tecnologia gráfica para a produção.
Não discordando do uso de efeitos gráficos, mas uma boa animação só acontece com uma boa história, e isso está ficando cada vez mais raro nas grandes telonas. O mundo está cansado para ver obras como a de Hayao, que exigem reflexão e muitas discussões, mas nunca ficamos pasmos com as sequências desnecessárias e produções que sempre estreiam em qualquer salinha de cinema. Não generalizando, é claro! Pixar ta aí pra isso!
Podemos contar por mais tempo com a criatividade de Hayao, que nunca deixa a perfeição dos traços de lado, sempre nos surpreendendo com uma boa história, fascinante e bem narrada.

Outra típica característica nas animações de Hayao a qual o ocidente não está acostumado é a movimentação de cenários e o jeito parado da narrativa, sem muitas lutas e ações. Mas isso acaba deixando para a fantasia das histórias um toque a mais.

Aqui vão alguns longas do mestre japonês:

Kaze no tani no Naushika, 1984

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Capa da Disney para Nausicaä – Of the valley of the wind

Mil anos após os 7 Dias de Fogo, um evento destrói a civilização humana e a maior parte da Terra. A humanidade ainda sobrevive e se esforça em sobreviver neste mundo em ruínas, dividido em pequenas populações e impérios. Isolados uns dos outros pelo Mar da Corrupção; uma floresta com plantas e insetos gigantes. Tudo nesta floresta é tóxico, incluindo o ar.
Nausicaä é a princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que tenta compreender melhor estas florestas nocivas aos humanos, e ao mesmo tempo tenta salvar seu povo da ação dos reinos vizinhos.

Assista online, legendado, aqui

Mononoke-hime (Princesa Mononoke), 1997

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Aqui temos um clássico que mostra os conceitos do Sr. Hayao. Podemos perceber durante a história os pontos de vista sobre natureza e tecnologia se chocando. Acompanharemos a personagem principal Ashitaka, príncipe de um vilarejo, que ao enfrentar os problemas no decorrer de seu caminho, se depara com uma guerra. Não escolhendo um lado, percebendo as razões de ambos, para no final encontrar um equilíbrio que não destrua nem um, nem outro. 

No Japão da Era Muromachi, era um tempo de muitas mudanças, onde os homens ainda viviam ente feras e deuses. Um espirito que possui o corpo de deus-Javali (“Tatari Gami” ou “deus da Maldição”), foi afetado por algo incomum e saiu sem consciência para o vilarejo dos Emishi. Desprevenido, o príncipe Ashitaka se encarrega de parar o terrível deus-Javali antes de destruir o vilarejo. Mas no meio da batalha, o mal que havia contaminado o deus-Javali acaba atingindo Ashitaka. Depois de pedir conselhos para a Anciã do vilarejo, Ashitaka segue caminho para encontrar uma resposta para o mal que atingiu o deus-Javali e achar uma cura.
Durante seu caminho é surpreendido por uma guerra entre os deuses-animais e os habitantes de um vilarejo que avançam na tecnologia.

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Junto com os deuses-animais está a Princesa Mononoke (San), uma garota que foi criada por deuses-lobos. Apesar de ser meio humana, San sente um ódio tão grande por humanos, que querem destruir a floresta dos deuses, que acaba se tornando mais loba que humana.

Convivendo com as pessoas que moram no vilarejo, Ashitaka percebe que ambos só querem sobreviver e acaba por se envolver na guerra, tentando restaurar o equilíbrio entre os dois lados.

Trailer em inglês:

Sen to Chihiro no kamikakushi (A Viagem de Chihiro), 2001

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Com o Oscar de melhor animação em 2003, A Viagem de Chihiro se tornou a animação de Hayao mais conhecida no mundo. Diferente da obra anterior, Chihiro não contém violência física, o que faz a classificação etária ser mais abrangente. Uma ótima pedida para encantar a família toda.

A história conta com personagens cativantes, com destaque para o “Sem Rosto”, que é um deus sem personalidade. Ele se contamina com a personalidade de quem está perto. Quando na casa de banho tem contato com o sapo, ele fica ganancioso e arrogante. Já quando fica perto de Chihiro, se torna gentil e bondoso. Durante o filme pode haver confusão, pois é uma personagem que não tem apresentação como os demais, mas é uma marca muito importante na animação.

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Chihiro e Sem Rosto

 

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A história conta sobre uma garota de 10 anos, Chihiro, que acredita que o universo gira em torno do seu nariz. Seus pais resolvem mudar de cidade e ela segue viagem reclamando e fazendo pirraça.
No meio do caminho os pais de Chihiro se perdem e acabam por parar em um túnel velho e aparentemente sem fim. Curiosos, decidem entrar no túnel, mesmo com Chihiro protestando de medo. Acabam por chegar a uma cidade abandonada, só que com comida o suficiente para abastecer suas barrigas famintas. Chihiro decide explorar o lugar e acaba encontrando Haku, um garoto que lhe diz para ir embora da cidade o mais depressa possível. Com medo do que poderia acontecer ela corre até seus pais, mas de nada adianta chamar por eles, pois já estavam virando porcos. Enquanto isso a cidade estava voltando a ser habitada por estranhas criaturas que surgiam do nada. Chihiro começa sua aventura, presa em um mundo mítico, povoado por seres fantásticos que não aceitam seres humanos.

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Chihiro e Haku

Trailer:

Hauru no ugoku shiro (O Castelo animado ou O Castelo Andante), 2004

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A história é baseada no livro Howl’s Moving Castle, da escritora inglesa Diana Wyne Jones. A diferença aqui entre o livro e o longa vem dos ideais de Hayao – no longa, o cenário acontece em uma guerra, que nos lembra muito a segunda guerra mundial, mudando a história para o tema pacifista. Durante o filme, vemos máquinas e poderosos feiticeiros lutando por ideais diferentes, lembrando muito de cenas da guerra, como tanques e bombas.
O longa não foi bem aceito nas bilheterias dos cinemas. Uma vergonha, já que os valores de Hayao devem ser sempre discutidos, ainda mais se tratando de um assunto tão grave e cheio de histórias como a guerra.  

A aventura começa quando Sophie, uma mulher que acha que seu destino é continuar com a chapelaria da família e não tem ambições, certo dia sai para visitar sua irmã Lettie. No caminho ela é importunada por alguns oficiais do exército mas é salva por um bonito jovem.

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Sophie e Howl

Depois de muito esforço para conseguir fugir dos perseguidores, o jovem a deixa sozinha. Contudo, toda essa atenção atrai a atenção da Bruxa das Terras Abandonadas, que lança-lhe um feitiço que a deixa velha. Sophie decide sair de casa em busca de um modo de quebrar a maldição, pois com aquela aparência ninguém a reconheceria.

Em seu caminho para achar uma cura ela liberta o espantalho enfeitiçado Cabeça de Nabo, que a leva até o castelo de Howl, um lugar que sempre está em movimento, levado por magia. Depois de conseguir entrar no castelo, ela encontra o demônio de fogo Calcifer, que propõe quebrar seu feitiço desde que ela quebre o contrato que o prende ao mago mestre do castelo.

Na manhã seguinte, Sophie descobre que o jovem que a havia ajudado é Howl, o mestre do castelo. Quando se encontram, Sophie diz que é a nova faxineira, pois o castelo é o lugar mais sujo em que existe. O aprendiz Markl até acha isso tudo meio suspeito, mas Howl não diz nada contra.

A situação piora, pois com o desaparecimento do príncipe do reino vizinho, os reinos entram em guerra e Howl é convocado para lutar por seu rei e por sua antiga mestra Madame Suliman. Mas Howl não é alguém que aceita ordens tão facilmente assim.

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Trailer em inglês:

 

E você me pergunta se é só isso… Não é não! Durante sua carreira, Hayao fez várias animações, todas com o mesmo cuidado e empolgação. Trazendo sempre uma crítica construtiva para o nosso mundo e para as pessoas que vivem nele. Aqui eu deixo a lista:

Novidade: Sr. Hayao nos surpreendendo com mais um de seus projetos, From Up On Poppy Hill (Kokurikozaka Kara). Estreou no Japão em 2011 e tem previsão para estreia em 2013 nos EUA, enquanto aqui no Brasil vamos ficar babando.
O roteiro é uma adaptação do mangá Tetsuro Sayama e Chizuru Takahashi, que conta sobre uma garota crescendo com o seu pai dado por desaparecido.
A direção fica por conta de Goro Miyazaki, filho do mestre Hayao.

Trailer em inglês:

E aqui fica a minha admiração pela cultura japonesa. Pelas obras de arte na história do cinema que vem de lá, principalmente com desenhos animados. Rezemos para que o Sr. Hayao continue firme e forte e pare de querer se aposentar!

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Cena de “A Viagem de Chihiro”

Curta, compartilhe, deixe um comentário, cante uma música, tudo aqui embaixo!

Até a próxima!

GEEKOLOGY – Kill Bill, a saga sangrenta de Black Mamba

É isso mesmo, geeks, voltamos com mais um Geekology (a série que vai deixando em arquivo o remember das obras clássicas do mundo nerd/geek/pop, contando com livros, filmes, games, personalidades e mais!) e o de hoje está jorrando sangue para tudo quanto é lado. Afinal, o que é falar de Tarantino sem tomar um jorro de sangue na cara, não é mesmo? Pois bem, preparem seus trajes amarelos com listras pretas, afiem suas katanas Hatori Hanzo e vamos que vamos!

Kill Bill é uma série de dois filmes baseada no personagem “The Bride”, criado por Quentin Tarantino, o cineasta, e Uma Thurman, a atriz. A ideia do personagem e do enredo surgiu durante as gravações do lendário Pulp Fiction (que fica para outro Geekology, recheado de amor). Para quem lembra daquela cena em que Mia conversa com Vincent no restaurante retrô sobre um episódio piloto que ela participou, bem, é lá que está a referência para Kill Bill. Para quem quiser conferir, em inglês, vai a cena inteira aí embaixo, onde o assunto bate com um “grupo mortal de garotas assassinas” em 1:55 e acaba em “minha personagem era a mulher mais mortal do mundo com uma lâmina” em 2:55. Mais mastigado que isso, só comida de velho, hein.

Elenco: Uma Thurman como Black Mamba, David Carradine como Bill, Daryl Hannah como Elle Driver, Lucy Liu como O’Ren Ishii, Vivica A. Fox como Vernita Green, Michael Madsen como Budd, Julie Dreyfus como Sophie, Chiaki Kuriyama como Gogo, Sonny Chiba como Hattori Hanzo, Gordon Liu como Pai Mei e uma pontinha do Samuel L. Jackson.

Os dois filmes contam a história de Black Mamba – uma assassina de sangue frio e habilidades nunca vistas pela sociedade dos assassinos, um talento inigualável para o derramamento de sangue. Esta mulher fatal deixa sua organização de criminosos, liderada por Bill (o mandante com o qual ela tinha um ardente caso de amor), por ter engravidado. Querendo uma vida melhor para seu bebê, ela foge, e vai se casar com um anônimo de fim de mundo, deixando que todos pensem que ela estava morta. Quando os assassinos a encontram, a matança é feia… Abatem a todos no casório e “A Noiva” toma um belo de um tiro na cabeça. Mamba não morre, e acorda 4 anos depois, saída de maneira brusca de um coma. Percebe que perdeu o bebê e tudo o que ela quer é vingança. A mais pura, doce, violenta e sanguinolenta vingança. E é onde começamos a nos apaixonar cada vez mais pela mulher mais fatal do mundo.

Começa então o primeiro filme. Com duração de 110 minutos, Tarantino consegue transformar a ação em arte, em conquista, em vislumbre e ouro! É visionário, atrevido, ousado, preciso, louco e artístico, mantendo linhas de pensamento rebuscadas e regadas em sangue. O tipo de coisa que hipnotiza o bom espectador nos primeiríssimos minutos. O estilo de filmagem característico do cineasta é algo que só é possível encontrar em suas obras (e, em especial, em Kill Bill). Usando de cortes bem feitos, enquadramentos diferentes do comum e um jogo de cores realmente inusitado, a produção vai te deixando cativado.

O olhar da morte

O primeiro alvo é Vernita, que já tem uma vida feita depois dos anos de assassina, e é a especialista em facas. Ela se mostra um desafio e tanto para Black Mamba, e a luta acaba sendo feia e pesada, já que a mulher tem uma filha, que acaba vendo a mãe em estado realmente traumático – Nicki, e esta criança é importante, já foi cogitada como personagem para um terceiro filme da série Kill Bill, indo atrás de vingança pela morte de sua mãe. Esperamos que seja verdade. Uma curiosidade legal sobre a cena: O cereal no qual Vernita esconde uma arma é criado por Tarantino, que além de ser um tarado por closes de pé, gosta de criar as marcas dos produtos usados nos filmes. Excêntrico, mas até aí, nenhuma novidade.

E então, o filme chega em sua saga principal: a obtenção de uma espada de Hatori Hanzo, o maior mestre espadachim de todos, feitor das lâminas mais mortais do mundo… E mentor de Bill, a quem Mamba persegue com obstinação e sangue nos olhos. Depois de cenas belíssimas de interação entra a cultura americana e a japonesa, e as duas artes de matar, Mamba vai a caminho de O’Ren Ishii – uma das assassinas, interpretada MUITO BEM por Lucy Liu. Entra em cena um anime esplêndido, que conta a história da mestiça, líder da máfia japonesa. E dói o coração saber que o anime é exclusivo do filme, e não existe em capítulos para baixarmos, porquê é de uma arte e execução de deixar baba escorrer da boca.

Chega a cena do confronto das duas e eis uma das cenas mais épicas do mundo dos filmes de ação. O derramamento de sangue dá a ideia de exagero e um quê de cômico também, para passar a ideia de uma HQ, colorida, intensa. Aqui vai uma observação: A luta com espadas não é algo fluído, mas compensa… Acho realmente raro ver atores que não são mestres da espada interpretando tão bem quanto estas duas numa luta tão carregada de expectativa.

Fica aqui uma sequência do filme (não recomendada para quem ainda não viu), de 10 minutos, talvez do embate mais tenso da saga. Aí vai da opinião de cada um, é claro. Mas é de chorar sangue, com o perdão do spoiler, rs.

Não vamos falar muito sobre o fim do filme, mas acho que já é hora de seguir para a continuação da saga.

Com 137 minutos, o volume dois de Kill Bill é ainda mais intenso que o primeiro, e ainda mais recheado de batalhas épicas. Budd, o irmão de Bill, é o primeiro alvo e, para chegar até ele, toda uma lenda vai tomando rumo. É tempo de mostrar um pouco mais sobre nossa amada assassina e sua história, pois os rivais vão ficando cada vez mais pessoais. É quase como uma jornada ao coração da vingadora. O treinamento com Pai  Mei, imortalizado como um dos maiores mestres do mundo do combate fictício, é algo lindo de se ver, embora sofrido. A vingança contra Budd leva Mamba à uma outra rival, e esta é a verdadeira cobra da história: Elle Driver. A loira fatal invejosa e cruel que todo filme de ação tem que ter. Empunhando espadas Hatori Hanzo, o embate é uma das cenas mais empolgantes. É tempo, então, de matar Bill. O nome de Mamba vem a tona e, com isto, a matança fica ainda mais pessoal – A trama mostra segredos que não sabíamos, e que mudam o rumo da história, assim como mudam a nossa personagem. O embate com Bill se mostra mais emocional que físico e, ainda assim, rola luta e expectativa, não deixando nem um pouco a desejar. O fim do filme é algo que mexe com o espectador por dentro, imbuído de uma trilha sonora espetacular.

A trilha do primeiro filme consegue ser bem melhor e mais catching do que a do segundo filme, e fica mais que recomendada para ser baixada e escutada no aleatório do ipod. Que jogue a primeira pedra quem já assistiu o filme e nunca se pegou assoviando a primeira música? Para quem preferir, fica aí a passagem pelo youtube na trilha, pra deixar um gostinho de quero mais:

Curtiu o post de hoje sobre Kill Bill? Conte mais curiosidades, compartilhe a sua opinião, deixe sugestões para o próximo Geekology! Quer um pouco mais da obra? Aqui no Geek Vox já rolou até galeria de fotos do backstage da produção, confere aqui no link.

 

GEEKOLOGY: O Estranho Mundo de Jack

Fala moçada! Pois bem, em pleno Halloween, estamos inaugurando aqui no Geek Vox uma nova leva de posts, intitulada GEEKOLOGY. Nestes posts, vamos comentar sobre filmes, livros, bandas, games, eventos, personalidades, filosofias e comportamentos que tornaram o mundo Nerd/Geek o que ele é hoje! Certo, certo, tendo isto explicado, vamos aproveitar bem o dia e falar sobre um dos grandes marcos geeks do Halloween: O Estranho Mundo de Jack!

Muito bem crianças, aproximem-se e tomem seus lugares sentadas nas lápides do cemitério, e tragam suas abóboras e camisas listradas, pois é hora de Tim Burton. O estúdio da Walt Disney Pictures apresenta O Estranho Mundo de Jack (Título original: The Nightmare Before Christmas), de Tim Burton. Um filme musical animado infantil, com duração de 77 minutos aproximadamente. Direção de Henri Selick, produzido e co-escrito por Burton, do ano de 1993.

Concorrendo em 1994 ao Oscar, e perdendo para o venerado Jurassic Park, O Estranho Mundo de Jack é sem dúvida uma das estrelas douradas na testa do Tim Burton. O musical foi cogitado cerca de dez anos antes do projeto do filme acontecer, mas a Disney sempre esteve com o pé atrás, pois a ideia parecia ser macabra e sinistra demais para as crianças. De fato, este é um dos filmes que costumava me botar medo e fascínio na minha época de girininha. Com o inconfundível e único toque de meu diretor preferido, o filme te leva para dentro do mundo dos feriados. Com portais para o Dia de Ação de Graças, Dia de São Valentim, Dia de São Patrício (típicas comemorações americanas), Páscoa e Natal, entramos pelo do Halloween, chegando à cidade tenebrosa de Jack Esqueleto, o rei do susto. Os personagens mórbidos, cantantes e perversos de massinha encantam os tragicômicos. Mas Jack não está satisfeito, e vaga até a Cidade do Natal. Se encanta pela magia da cidade e convence os habitantes do Halloween a terem sua própria versão natalina. Dois dos meus mais queridos personagens, além de Jack, encontram-se Sally, a boneca de pano com um bom coração, e o Oogie (bicho-papão), que me fazia esconder o rosto no cobertor, hehe.

O elenco inclui Chris Sarandon (Jack Skellington) e Catherine O´Hara (Sally) na versão original.

No mais, é preciso assistir o filme, se você ainda não o tiver feito (aliás, se não viu ainda, merece perder 100 pontos na carteirinha nerd). O enredo é apaixonante, e se você é um fã do submundo, vale a pena ver, se nunca teve a chance. Pra você que é familiarizado com o queridíssimo Rei da Abóbora, vale rever agora em remasterização digital, ou até mesmo em Blu-Ray. A qualidade do DVD realmente influi no modo como a cidade do Halloween encanta. Como coloquei as mãos na edição de colecionador, nem sequer tive tempo ainda de ver todos os extras e especiais do filme. Vale lembrar aos fissurados por Tim Burton que, embora a decepção, ele esteve muito ausente na produção do filme, deixando-a nas costas de Selick. Então, não se engane quanto ao cenário, personagens e tudo o mais… Desilude saber que Burton tinha outras coisas mais importantes pra cuidar. Mas é um bom conforto ao nosso coração obscuro que pelo menos a idéia geral é dele. Palmas e palmas para o conto de Natal mais legal da minha infância, e um grande abraço para o Burton, que só não me ganha mais do que Beetlejuice no seu passado.

Sinopse: Entediado com a velha rotina de gritos e sustos, o Rei do Halloween Jack Esqueleto, deseja espalhar a alegria do Natal. No entanto, esta alegre missão coloca Papai Noel em perigo e cria, por toda a parte, um pesadelo para meninos e meninas!

Trailer em inglês:


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