“Sherlock” e a TV que prima pela qualidade

“Sherlock” e a TV que prima pela qualidade

0

No final do ano passado conheci a série “Sherlock”, da BBC. Claro que já tinha ouvido falar muito, mas nunca tinha realmente parado para assistí-la, principalmente por conta da longa duração dos episódios (1 hora e meia). Outro preconceito que eu tive, foi o fato de a série se passar na Londres moderna, trazendo para o século XXI um personagem característico da Era Vitoriana.

Mas, justamente, essas duas características são os grandes diferenciais dessa fantástica série. A duração de filme permite tramas complexas, com grandes viradas na história, desenvolvimento dos personagens e espaços para excelentes diálogos. E a transição de personagens para o mundo moderno acontece de uma maneira muito inteligente, pois ao mesmo tempo que características são mantidas, outras são introduzidas (como a grande capacidade de Sherlock buscar informações em seu smartphone, por exemplo).

Outro grande ponto são as atuações. Admito já que os coadjuvantes costumam ser mal interpretados, fora exceções. Mas, como dizem, “o importante é o que importa”. E a dupla de protagonistas é brilhantemente conduzida por Benedict Cumberbatch (Sherlock Holmes) e Martin Freeman (Dr. Joh Watson). A química entre ambos é evidente desde o primeiro episódio, e é nítido que os dois atores se divertem muito trazendo à vida esses dois personagens.

sherlock_2016_facebook

Martin Freeman, que já era excelente na versão original de “The Office”, tem um timing excepcional para comédia. Não que seu personagem seja um palhaço, mas é justamente pela sutileza, os olhares irônicos e pelos diálogos que tiram risadas mesmo em momentos tensos da série. Cumberbatch tem em Sherlock o papel de sua vida. Ele é ao mesmo tempo estranho e curioso para a audiência. Consegue transmitir arrogância, simpatia e simplesmente rouba a cena quando é necessário, seja com uma atuação mais forte e chamativa, ou discreta e mais interpretativa. Outra interpretação que vale chamar atenção é a de Andrew Scott, que vive o nêmesis de Sherlock, Jim Moriarty. O personagem é bom, e o ator tem uma atuação caricata, que, por incrível que pareça, se encaixa bem na série, mas em alguns momentos fica destoante das fortes interpretações de Cumberbatch e Freeman.

Destaque também para a parte técnica da série. Os diretores usam ângulos de câmeras muito interessantes e criativos. Mais uma vez, algo que é necessário criar quando se tem muito tempo de duração dos episódios. E a trilha sonora de David Arnold e Michael Price é excelente. A trilha principal é marcante, e as incidentais dão muito bem o tom da série. Cômica, com ar vitoriano e em alguns momentos mais dramática.

Os episódios são baseados nos livros de Sir Arthur Conan Doyle, como já dito, nos dias de hoje, mas mantendo a essência. Cada temporada possui apenas três episódios, e não saem de maneira precisa (a terceira temporada saiu em 2014, enquanto a próxima deve sair apenas em 2017). Esse é o grande problema e qualidade de Sherlock. Enquanto se prima muito pela qualidade (que simplesmente NÃO existe em séries de 24 episódios anuais) saindo em doses menores, os fãs são obrigados a esperar anos por mais três episódios. Mas uma coisa é certa: quando saírem serão excelentes e ficarão na sua cabeça. Como todos até aqui.

About author
Equipe Geek Vox

Equipe Geek Vox

Doug Oliveira & Rodrigo Maroto. Os Geeks que dão voz ao Geek Vox! OUÇA NOSSO PODCAST EM: http://geekvox.com.br/geek-vox/