Literatura erótica sem mimimi: “História de O”, de Pauline Réage (+18)

Literatura erótica sem mimimi: “História de O”, de Pauline Réage (+18)

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Olá, Geeks! Antes de qualquer coisa: o título é pra valer, a resenha não é para menores. Não aconselho também a quem gosta de repertórios mais comuns na cama e talvez na vida. Honestamente.

Neste meu retorno às resenhas de mofo de biblioteca, trouxe a minha pequena vingança a essa modinha de literatura erótica.

Lançaram “Crepúsculo”, que é aquela coisa que a maioria de vocês sabem, e eu quis saber como eram vampiros de verdade. Então procurei ler “Drácula”, a lenda (ou não tão lenda assim, como na resenha sobre a história) mais fiel sobre vampiros que poderia haver e deu origem a todas as demais histórias de vampiros.

Como se não fosse o bastante, depois veio um derivado de Crepúsculo, “Cinquenta tons de cinza”. Sim, para quem não sabe, essa história originalmente era uma fanfiction de Crepúsculo, só que nela Edward e Bella faziam sexo de verdade. Ou quase isso. Trocando em miúdos, não é uma boa trilogia, e eu não consegui terminar nem o primeiro livro. Sinto muito.

O que me desmotivou a continuar lendo “Cinquenta tons de cinza”, afinal? Era para ser literatura erótica, mas eu só estava lendo mimimi. Romance meloso e esquisito. Além de não ter mais idade ou paciência para isso… Comecei a me perguntar se existia de verdade literatura erótica por aí. Se alguém conseguiu compor um enredo com sexo sem parecer forçado, mas que fosse pesado o suficiente.

História de O

Então me deparei com “História de O”, de Pauline Réage (pseudônimo de Anne Desclos). Em 1954, uma francesa escreveu um livro sobre sadomasoquismo e submissão. Confesso que estava procurando apenas sexo sem mimimi, pessoal. Mas como parecia ser um clássico – citado até pela J.K. Rowling como algo pesado, pasmem! -, eu quis ler por curiosidade.

O livro conta a história de uma fotógrafa, nomeada apenas como O. Certamente você está aí rindo ao pensar que é um trocadilho. E é mesmo, mas pode ter certeza de que a protagonista teve todos os seus “o’s” explorados das formas mais versáteis possíveis.

Começamos com O sendo levada por seu amante, René, até um castelo em Roissy, perto de Paris. Ela não fazia ideia do que ia acontecer lá dentro, mas tinha certeza de que seria tomada por vários homens além de seu próprio amante. Ou seja, ninguém amarrou a moça e levou-a forçada, ela foi porque quis.

O negócio é um ritual, praticamente, e a servidão ao seu “senhor” é espontânea. Ela poderia ter ido embora, mas consentiu em fazer o que René quisesse. Todos os homens estavam cobertos por capuzes longos que fazia O não reconhecê-los. E eles fizeram o que quiseram nela. Todos juntos, às vezes nem revezando. E não me façam ser mais específica do que isso. Claro, depois veio o chicote, as cordas, vendas, correntes e toda a ideia que talvez você, geek, fazia do sadomasoquismo enquanto espancamento. No início, simplesmente O sofria – mas reforço, não queria ir embora por causa disso – até desmaiar, porém com o tempo e as marcas começou a sentir prazer em estar presa e apanhar tanto dos homens que a desejavam naquela situação.

O

 

Com o passar do tempo, descobrimos que René tem uma adoração por um meio irmão, Sr. Stephen, um inglês mais velho e mais experiente nas práticas sadomasô. O, então, torna-se submissa a Sr. Stephen e se solta o suficiente para se envolver com Jacqueline, uma atriz que ela adora fotografar.

A questão maior é que nesse tipo de submissão, a lógica é a seguinte: você pertence a outra pessoa, que pode dispor de você como quiser e para quem tiver vontade. Logo, se o cara ama a mulher, ela é parte dele. E se ela é parte dele, ele pode oferecer a quem quiser. Complicado isso.

Vale mencionar também que O assumiu ao longo da história que gostava sim de estar rodeada por homens querendo vê-la nua, espancá-la, puxar por onde quisessem e com quantos punhos ela pudesse aguentar. E esse “poder” de sensualidade que ganhava, ela descontava nas mulheres. Inclusive, as mulheres em Roissy também serviam para ajudar a modelar o corpo e disciplinar comportamentos. Nem sempre eram homens quem comandavam o esquema.

Sei que está querendo ler isso agora, seu geek pervertido, mas meu conselho para você é… Somente faça isso se realmente se interessa pelo assunto inteiro, ou se é tão curioso como eu fui em descobrir o que raios é literatura erótica de qualidade. O fato do sadomasoquismo ser um assunto controverso e não muito atrativo para as pessoas na prática não invalida o fato de Réage escrever bem pra caramba.

No livro não tem um palavrão sequer. De verdade. O sexo, a suruba, as pancadas e a tortura estão todos descritos com detalhes. Porém, da forma mais cuidadosa possível. Você vai entender a violência e senti-la enquanto ler. Mas não precisa de palavras chocantes. Afinal, a situação já é incomum e impactante o suficiente.

a-historia-de-o-guido-crepax-lpm-reproducaoVi que tem uma continuação, chamada “Retorno a Roissy”. Apenas encontrei em espanhol a versão. Não pretendo ler, a minha curiosidade já foi morta o suficiente! Para quem se interessar de verdade, existe uma HQ (sim, é sério!) chamada “A História de O”, de Guido Crepax, inspirada no livro…! No site da editora L&PM, é possível ver um trecho da HQ, que é de fato o comecinho do livro. E, claro, como viram na imagem em destaque, fizeram algumas adaptações cinematográficas.

Um dia ainda espero ler algo mais leve no tema. Não me arrependo de ter lido, mas a lógica e os sentimentos expostos não causaram nenhum impacto em mim, só não me identifico com alguém que se submeta a aquilo e goste! Cheguei à conclusão de que realmente gosto é que nem bunda, cada um tem a sua, e ninguém é obrigado a gostar dela ou fazer outras coisas…

Só sei que nunca mais verei anéis de ferro com a mesma inocência.

Enfim, é isso, geeks! Não tentem isso em casa sem terem certeza! 

 
PS1: Recomendem livros eróticos interessantes nos comentários se conhecerem mais!

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Equipe Geek Vox

Doug Oliveira & Rodrigo Maroto. Os Geeks que dão voz ao Geek Vox! OUÇA NOSSO PODCAST EM: http://geekvox.com.br/geek-vox/