A Vigília – Ajude a continuar a História!

A Vigília – Ajude a continuar a História!

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Fala, galera! Recebemos um e-mail do Lucas Carvalho, um ouvinte assíduo do nosso podcast, que me inspirou a escrever um conto, fantasiando em cima do que foi relatado.

No e-mail, o Lucas conta algumas coisas estranhas que aconteceram com ele em seu emprego noturno, enquanto ouvia o Geek Vox # 56 – Ovnis e Osnis.

Mas como vocês sabem, adoramos a interação e sabemos que temos ouvintes que escrevem muito bem, por isso, queremos que vocês enviem a sua versão de como a história deve continuar, de onde eu parei.

A melhor versão será postada aqui no Geek Vox e então, será aberta outra seletiva para novos textos que possam continuar a história.

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Envie sua continuação para colabore@geekvox.com.br

Atenção: Ao enviar qualquer material para esta promoção, você concorda e cede os direitos de uso e publicação em qualquer meio difundido pelo Geek Vox, sem retorno financeiro.

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A Vigília

Conto escrito por Rodrigo Maroto (adicionarei os demais colaboradores),
inspirado em relatos reais de Lucas Carvalho (ouvinte do Geek Vox).

Capítulo 1 – Por RODRIGO MAROTO

Enquanto aguardo na plataforma pelo próximo trem, com meus fones de ouvido, fico me perguntando “para onde vão todas essas pessoas?”. Não consigo sair do óbvio e imaginar suas casas ou até mesmo a faculdade. Ao menos eu sei para onde estou indo e, por hora, isso já é o bastante.
Já passam das 22h de uma quarta-feira e apesar de cheio, consigo um lugar sentado no metrô. Estou a caminho da estação Tatuapé, para mais um dia de trabalho como operador de rastreamento. Não posso negar que o trabalho é chato, porém, ficar sozinho de madrugada sem um chefe no seu ombro, é impagável.
Não sou do tipo antissocial, longe disso, tenho bons amigos, mas admito que estar sozinho num enorme prédio é mais interessante do que sentar em um cubículo cercado de pessoas e suas vidas enfadonhas.

Meu pensamento é interrompido. Sou tragado de volta ao vagão do metrô. Na minha frente, um homem, aparentando ter seus 30 anos de idade, chama a minha atenção. Não é sua barba por fazer ou o cabelo, com um certo tom oleoso e um tanto desgrenhado. São seus olhos – me forço a lembrar do termo que havia escutado no Discovery Channel. “Heterocromia”, deixo escapar em voz alta. Pelo susto, derrubo meu celular que se desprende do fone de ouvido e começa a fazer alarde. No último volume, posso ouvir narrativas do Dick e do Maroto sobre teorias físicas das quais eu desconheço. Todos me olham estranho, mal levanto a cabeça ao pegar o aparelho. Instintivamente, meus olhos se focam apenas em uma coisa – uma espécie de líquido pingava de dentro da barra da calça do homem a minha frente. Não tive tempo pra olhar, mas me parecia algo prateado, muito parecido com mercúrio. Não, não era isso… Eu estava viajando.

A voz do condutor anuncia a minha estação, Tatuapé, e me prontifico a descer, quase como que fugindo do embaraço causado. Por sorte, não era um daqueles podcasts onde o Edison Rizatto xinga Deus e o mundo, literalmente.

Já estou quase saindo da estação e sinto uma rajada forte de vento, daquelas em que você para instintivamente, como se estivesse dando passagem para alguém que não está lá. Olho em volta, como que esperando mais olhares desaprovadores, porém não vejo ninguém… Como assim? Ninguém saiu por este lado? Tanto faz. Continuo andando.

Ao chegar na empresa, destranco a porta principal. O prédio totalmente apagado sustenta uma pequena luz vinda de uma lâmpada que fica embaixo do balcão da recepção. Pode parecer tolice, mas para quebrar o gelo da minha chegada, sempre falo “Boa noite, Joyce” para a recepção vazia. Apesar dela não estar lá, só a lembrança da recepcionista de 22 anos que trabalha no período da tarde me deixa mais relaxado.

Subo para o andar de rastreamento, onde fica o bunker, como chamamos. Trata-se de uma sala com vidros em três de suas quatro paredes. Abaixo dos vidros, forrando todas as paredes, temos quase uma centena de monitores, que trazem imagens do prédio todo. Como parte do protocolo, tenho como primeira missão trancar todas as portas internas.

Se você estivesse sozinho em um prédio, saberia o quão sinistra é essa ronda. Sério, imagine-se em uma série de corredores, onde geralmente a luz vem de pequenos spots no rodapé das paredes… E nem todos ficam acesos. As portas ficam entreabertas e chegar perto de qualquer maçaneta, me dá calafrios.

Após a ronda, voltei ao bunker. Já poderia relaxar e ouvir o restante do Geek Vox sobre casos de abdução alienígena. Quando coloco os fones e aperto play, as luzes da sala se apagam. Congelei por um momento e, por vários segundos, não tive reação. Apenas ouvi o Douglas narrando algo sobre um cara que teria sido abduzido nos Estados Unidos. Ele estava numa estrada e viu uma grande luz… Ao chegar perto, foi atingido por um raio, sumiu e foi reencontrado dias depois.

Resolvi tirar os fones e olhar em volta… De alguma forma, alguns monitores, uns três ou quatro deles, ficaram ligados. Aproximei o rosto do monitor da fachada do prédio e vi algo que congelou meu sangue. “Heterocromia”, exclamei em voz alta novamente. Lá estava, parado em pé, do outro lado da rua da minha empresa, abaixo da luz de um poste público. O mesmo homem que havia visto no metrô. Um homem cujo sinal mais peculiar era uma doença rara que tornava um olho castanho e o outro verde.

Não pude acreditar, seria coincidência? O que ele faz ali? A luz voltou a piscar. Continuei olhando para o monitor, a luz do poste também piscava, quase em sincronia com a minha. Mais uma piscada e a luz do poste se apagou de vez, ao mesmo tempo em que minha sala ficou numa escuridão parcial, iluminada por apenas dois monitores: o da fachada do prédio, onde o homem estranho estava, agora ficou apenas com estática.

Levanto e começo a ouvir meu próprio coração… Meus batimentos deveriam estar muito acelerados para isso. Vou em direção à porta do bunker e tento abri-la. Nada acontece. É claro, sua trava é eletrônica, similar a de um cofre de banco. Quando a luz é cortada em um banco, a porta do cofre fica selada até que a luz volte e a senha correta seja inserida.

Estou em pânico, o bunker é também selado, sem janelas e com a falta de luz, o sistema de ar parece ter parado. Como ninguém havia pensado nisso? Estou preso num imenso caixão de metal? Preciso dar um jeito.

Começo a olhar em volta, tentando localizar minha lanterna. Sei que a deixei aqui em algum lugar ao voltar da ronda. A única luz que tenho vem do segundo monitor ligado… Espere! O monitor!

Aproximo-me lentamente do monitor que está funcionando. Relutante. Do meio da sala eu já havia enxergado algo. Meus olhos estão cheios de lágrimas e minha nuca tem todos os pelos ouriçados. Ao chegar mais próximo, vejo o monitor que capta as imagens da câmera que vigia a única porta localizada nos fundos da empresa. Minha mão treme ao acionar o zoom com auxílio do mouse. A porta está aberta… escancarada.

Congelo totalmente e me sinto fraco. Isso não pode estar acontecendo. Tenho que sair daqui.

Aos poucos, um por um, outros monitores que captam imagens internas do prédio voltaram a funcionar. Para meu espanto, todas as portas estão abertas. Alguém está aqui. Recuso-me a acreditar até que a câmera 42 liga e lá está ele, olhando diretamente para a câmera, como se enxergasse meus olhos… Não… Como se enxergasse minha alma.

Capítulo 2 – Por PEDRO DIAS (Texto sujeito a alterações na edição final do conto)

O homem com heterocromia está lá parado, olhando para a câmera. O que o monitor traduz como se ele estivesse olhando direto para mim. Eu me recuso a piscar, prendo a respiração, sinto os braços tensos e prontos para agir, embora eu ainda não tenha a menor ideia do que ele vai fazer. E menos ainda do que eu posso fazer, senão cobrir a cabeça e chorar.

Ele fecha o olho verde. O castanho continua fixo em mim. Começo a perceber o movimento do olho fechado sob a pálpebra, girando erraticamente na órbita, até que para, fixo, como se olhasse para baixo, com sua visão atravessando o olho fechado.

É quando sinto alguém me observar por trás. Todos os pelos do meu corpo se arrepiam, eu arregalo os olhos, sinto uma gota de suor frio descendo pela lateral do meu rosto. Penso em me virar e ver quem está ali, olhando diretamente para minha nuca. Mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, o homem com heterocromia assume um sorriso torto e irônico, quase imperceptível, e um ponto bem no centro de minha nuca começa a esquentar.

Minha pele queima, automaticamente meus olhos se fecham, as lágrimas escorrem pelas minhas bochechas, meus dentes rangem, minha garganta dói. Por fim, não consigo me conter: eu grito com toda a capacidade de meus pulmões, com o fogo consumindo meu pescoço e por fim acabo desmaiando, pensando, aliviado, que acabou a dor e chegou a hora de minha morte.

Mas quando acordo, caído no chão, levanto-me com dor e dificuldade, ainda me lembrando do que aconteceu. Apesar dos monitores do bunker agora não indicarem a presença de ninguém, nem qualquer porta aberta no prédio, a energia voltou, e meus olhos doem sob a luz branca.

Digito a senha na porta eletrônica e saio da sala. Entro no banheiro. Abro a torneira e jogo água no rosto. Enfio a cabeça na pia, embaixo do fluxo d’água, sentindo a corrente fria aliviar meu pescoço agora morno. Depois de alguns instantes, eu me levanto, deixo a água escorrer pelo meu rosto e cabelo, chegando até a minha roupa e pingando na pia. Finalmente, com a boca aberta, ofegante e com o cabelo molhado e bagunçado, eu me olho no espelho.

Meu olho esquerdo, antes castanho como seu gêmeo, agora é verde.

Capítulo 3 – Por Cristiano Lima

A água lava meus punhos vermelhos… retiro os pequenos cacos de vidro do nodo de meus dedos, improviso o papel toalha como gaze, logo o vermelho se apodera do branco do papel. Afinal, que tipo de idiota soca o próprio reflexo num espelho, pego um dos cacos maiores e na vã esperança de enxergar um iris castanha como a de todas as outras vezes fiz na minha vida, maldição. Conforto-me em arrumar a bagunça do banheiro, talvez ainda consiga manter esse emprego se contar o que aconteceu, loucura total, a mim ainda é difícil acreditar no que me aconteceu, mas já não me importo mais com o valor do espelho e sim com o verde indecente de meu globo ocular esquerdo.

Termino de juntar os pedaços de espelho e começo a juntar os cacos da minha sanidade. Isso deve ser uma alucinação, uma brincadeira do meu cérebro. Mas não é, tenciono a pegar o telefone e chamar a polícia, mas o que irei contar? Uma invasão espirita, mais fácil me terem por drogado, maluco ou mentiroso; e eu não os condenaria por isso. Quem então poderia me ajudar? Sem dúvida alguma o obvio se apresenta como resposta, pois apenas eu mesmo posso encenar esse papel. Acesso com meu telefone o google e faço uma das minhas pesquisas mais absurdas “heterocromia adquirida“ que obviamente não resultou em uma condição clínica listada pelo google. Neste instante percebo que precisaria ir mais fundo nas pesquisas.

Com minha chave mestra acesso um dos escritório do andar 7 e 1/2. Consigo acesso à máquina com a velha senha 123mudar, com as dicas do GV47 procuro por casos bizarros de pigmentação ocular, como os tatuadores de olhos, mas um relato em um fórum chama minha atenção. Uma garota na Índia apresentava uma alteração na cor dos olhos depois de ser agredida em um ônibus, seus familiares procuraram ajuda, mas sem sucesso a garota acabou sendo considerada como amaldiçoada em sua vila. Aparentemente isso desencadeou um surto psicótico na garota, que acabou por atear fogo em sua casa, causando a morte de seus 3 irmãos e mãe, e um incêndio na vila que vitimou mais 5 pessoas. Quando a encontraram ela havia arrancado o globo ocular esquerdo e se dizia finalmente livre, o que não aplacou a turba enfurecida que a espancou até a morte. Neste ponto existia um link para o vídeo do lixamento da garota. Maldita seja minha curiosidade, as cenas são horripilantes ainda mais por se tratar de algo verídico. Acabo por temer que tenha mais em comum com ela do que a repentina mudança na coloração ocular. Vou novamente ao banheiro, o dia está prestes a amanhecer, preciso logo me decidir no que fazer.

Ao espelho me deparo novamente com a estranheza de me ter ao espelho, me aproximo abro bem as pálpebras do meu olho castanho, comparo a sua aparência e me preparo para fazer o mesmo com o outro, mas quando fecho o olho castanho para poder abrir mais o outro tudo se torna em trevas.

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Escreva o 4º capítulo deste conto! Mande pra gente até dia 31/03 às 12h e torça para ser escolhido e fazer parte desse conto coletivo!
Mande no e-mail: colabore@geekvox.com.br

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Equipe Geek Vox

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Doug Oliveira & Rodrigo Maroto. Os Geeks que dão voz ao Geek Vox!

OUÇA NOSSO PODCAST EM: http://geekvox.com.br/geek-vox/