Geekology – Hayao Miyazaki

Geekology – Hayao Miyazaki

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Olá geeks! Olá Japão!

Você conhece o diretor de animação japonês mais respeitado do mundo? Não?
Então vamos dar uma passada na fucking awesome carreira de HAYAO MIYAZAKI!

As animações do Sr. Hayao usam temas presentes no nosso cotidiano, como a relação entre a humanidade, a natureza, as crenças, a tecnologia e o pacifismo. É bem visível a cultura de seu país em suas animações, não só com o tema guerra, mas com as religiões e crenças. Levando em consideração todos os conflitos ambientais e culturais do Japão globalizado, Hayao tende a retomar as raízes de sua nação com lições simples para quem acompanha seu trabalho.
É de grande destaque em suas animações as personagens femininas, que são fortes, determinadas e inteligentes, ao passo que sofrem com conflitos internos de personalidade, mas sempre acabam fazendo a coisa certa.
Vemos também os dois lados, natureza e tecnologia sempre tentando coexistir em conflitos que Hayao mostra as vantagens e desvantagens de ambos, sendo que o resultado é o equilíbrio.
Outra grande característica que contrasta bastante com o que a cultura do ocidente está acostumada é a inexistência de vilões propriamente malvados e sem coração, como nas HQs de super heróis. Nas animações de Hayao, os vilões têm pontos de vista diferentes, o suficiente para encher de aventura suas tramas.

Para o sufoco de muitos fãs, Hayao anunciou várias vezes sua aposentadoria, mas sempre se rendia e voltava para dirigir mais uma das suas grandes obras. Em 1982, escreveu um mangá, Kaze no tani no Naushika, que traz todas as características do animador explícitas ao longo da história. O mangá fez tanto sucesso que foi produzido por Isao Takahata, animado pela produtora Topcraft e lançado em 1984. Depois de todo o sucesso conquistado, Hayao teve o impulso que precisava para abrir seu próprio estúdio de animação: o Estúdio Ghibli.
Depois de ficar famoso no Japão, nossa velha conhecida Disney fez uma parceria com o Estúdio Ghibli, chamada de Disney-Tokuma, que toma conta de toda a distribuição mundial das obras de Hayao.

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Sr. Hayao

Tapa na cara da sociedade que acha que animação feita do jeito clássico está acabada. Hayao é grande defensor da arte de fazer desenhos animados do jeito clássico, entrando em choque com os grandes estúdios que usam tecnologia gráfica para a produção.
Não discordando do uso de efeitos gráficos, mas uma boa animação só acontece com uma boa história, e isso está ficando cada vez mais raro nas grandes telonas. O mundo está cansado para ver obras como a de Hayao, que exigem reflexão e muitas discussões, mas nunca ficamos pasmos com as sequências desnecessárias e produções que sempre estreiam em qualquer salinha de cinema. Não generalizando, é claro! Pixar ta aí pra isso!
Podemos contar por mais tempo com a criatividade de Hayao, que nunca deixa a perfeição dos traços de lado, sempre nos surpreendendo com uma boa história, fascinante e bem narrada.

Outra típica característica nas animações de Hayao a qual o ocidente não está acostumado é a movimentação de cenários e o jeito parado da narrativa, sem muitas lutas e ações. Mas isso acaba deixando para a fantasia das histórias um toque a mais.

Aqui vão alguns longas do mestre japonês:

Kaze no tani no Naushika, 1984

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Capa da Disney para Nausicaä – Of the valley of the wind

Mil anos após os 7 Dias de Fogo, um evento destrói a civilização humana e a maior parte da Terra. A humanidade ainda sobrevive e se esforça em sobreviver neste mundo em ruínas, dividido em pequenas populações e impérios. Isolados uns dos outros pelo Mar da Corrupção; uma floresta com plantas e insetos gigantes. Tudo nesta floresta é tóxico, incluindo o ar.
Nausicaä é a princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que tenta compreender melhor estas florestas nocivas aos humanos, e ao mesmo tempo tenta salvar seu povo da ação dos reinos vizinhos.

Assista online, legendado, aqui

Mononoke-hime (Princesa Mononoke), 1997

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Aqui temos um clássico que mostra os conceitos do Sr. Hayao. Podemos perceber durante a história os pontos de vista sobre natureza e tecnologia se chocando. Acompanharemos a personagem principal Ashitaka, príncipe de um vilarejo, que ao enfrentar os problemas no decorrer de seu caminho, se depara com uma guerra. Não escolhendo um lado, percebendo as razões de ambos, para no final encontrar um equilíbrio que não destrua nem um, nem outro. 

No Japão da Era Muromachi, era um tempo de muitas mudanças, onde os homens ainda viviam ente feras e deuses. Um espirito que possui o corpo de deus-Javali (“Tatari Gami” ou “deus da Maldição”), foi afetado por algo incomum e saiu sem consciência para o vilarejo dos Emishi. Desprevenido, o príncipe Ashitaka se encarrega de parar o terrível deus-Javali antes de destruir o vilarejo. Mas no meio da batalha, o mal que havia contaminado o deus-Javali acaba atingindo Ashitaka. Depois de pedir conselhos para a Anciã do vilarejo, Ashitaka segue caminho para encontrar uma resposta para o mal que atingiu o deus-Javali e achar uma cura.
Durante seu caminho é surpreendido por uma guerra entre os deuses-animais e os habitantes de um vilarejo que avançam na tecnologia.

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Junto com os deuses-animais está a Princesa Mononoke (San), uma garota que foi criada por deuses-lobos. Apesar de ser meio humana, San sente um ódio tão grande por humanos, que querem destruir a floresta dos deuses, que acaba se tornando mais loba que humana.

Convivendo com as pessoas que moram no vilarejo, Ashitaka percebe que ambos só querem sobreviver e acaba por se envolver na guerra, tentando restaurar o equilíbrio entre os dois lados.

Trailer em inglês:

Sen to Chihiro no kamikakushi (A Viagem de Chihiro), 2001

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Com o Oscar de melhor animação em 2003, A Viagem de Chihiro se tornou a animação de Hayao mais conhecida no mundo. Diferente da obra anterior, Chihiro não contém violência física, o que faz a classificação etária ser mais abrangente. Uma ótima pedida para encantar a família toda.

A história conta com personagens cativantes, com destaque para o “Sem Rosto”, que é um deus sem personalidade. Ele se contamina com a personalidade de quem está perto. Quando na casa de banho tem contato com o sapo, ele fica ganancioso e arrogante. Já quando fica perto de Chihiro, se torna gentil e bondoso. Durante o filme pode haver confusão, pois é uma personagem que não tem apresentação como os demais, mas é uma marca muito importante na animação.

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Chihiro e Sem Rosto

 

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A história conta sobre uma garota de 10 anos, Chihiro, que acredita que o universo gira em torno do seu nariz. Seus pais resolvem mudar de cidade e ela segue viagem reclamando e fazendo pirraça.
No meio do caminho os pais de Chihiro se perdem e acabam por parar em um túnel velho e aparentemente sem fim. Curiosos, decidem entrar no túnel, mesmo com Chihiro protestando de medo. Acabam por chegar a uma cidade abandonada, só que com comida o suficiente para abastecer suas barrigas famintas. Chihiro decide explorar o lugar e acaba encontrando Haku, um garoto que lhe diz para ir embora da cidade o mais depressa possível. Com medo do que poderia acontecer ela corre até seus pais, mas de nada adianta chamar por eles, pois já estavam virando porcos. Enquanto isso a cidade estava voltando a ser habitada por estranhas criaturas que surgiam do nada. Chihiro começa sua aventura, presa em um mundo mítico, povoado por seres fantásticos que não aceitam seres humanos.

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Chihiro e Haku

Trailer:

Hauru no ugoku shiro (O Castelo animado ou O Castelo Andante), 2004

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A história é baseada no livro Howl’s Moving Castle, da escritora inglesa Diana Wyne Jones. A diferença aqui entre o livro e o longa vem dos ideais de Hayao – no longa, o cenário acontece em uma guerra, que nos lembra muito a segunda guerra mundial, mudando a história para o tema pacifista. Durante o filme, vemos máquinas e poderosos feiticeiros lutando por ideais diferentes, lembrando muito de cenas da guerra, como tanques e bombas.
O longa não foi bem aceito nas bilheterias dos cinemas. Uma vergonha, já que os valores de Hayao devem ser sempre discutidos, ainda mais se tratando de um assunto tão grave e cheio de histórias como a guerra.  

A aventura começa quando Sophie, uma mulher que acha que seu destino é continuar com a chapelaria da família e não tem ambições, certo dia sai para visitar sua irmã Lettie. No caminho ela é importunada por alguns oficiais do exército mas é salva por um bonito jovem.

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Sophie e Howl

Depois de muito esforço para conseguir fugir dos perseguidores, o jovem a deixa sozinha. Contudo, toda essa atenção atrai a atenção da Bruxa das Terras Abandonadas, que lança-lhe um feitiço que a deixa velha. Sophie decide sair de casa em busca de um modo de quebrar a maldição, pois com aquela aparência ninguém a reconheceria.

Em seu caminho para achar uma cura ela liberta o espantalho enfeitiçado Cabeça de Nabo, que a leva até o castelo de Howl, um lugar que sempre está em movimento, levado por magia. Depois de conseguir entrar no castelo, ela encontra o demônio de fogo Calcifer, que propõe quebrar seu feitiço desde que ela quebre o contrato que o prende ao mago mestre do castelo.

Na manhã seguinte, Sophie descobre que o jovem que a havia ajudado é Howl, o mestre do castelo. Quando se encontram, Sophie diz que é a nova faxineira, pois o castelo é o lugar mais sujo em que existe. O aprendiz Markl até acha isso tudo meio suspeito, mas Howl não diz nada contra.

A situação piora, pois com o desaparecimento do príncipe do reino vizinho, os reinos entram em guerra e Howl é convocado para lutar por seu rei e por sua antiga mestra Madame Suliman. Mas Howl não é alguém que aceita ordens tão facilmente assim.

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Trailer em inglês:

 

E você me pergunta se é só isso… Não é não! Durante sua carreira, Hayao fez várias animações, todas com o mesmo cuidado e empolgação. Trazendo sempre uma crítica construtiva para o nosso mundo e para as pessoas que vivem nele. Aqui eu deixo a lista:

Novidade: Sr. Hayao nos surpreendendo com mais um de seus projetos, From Up On Poppy Hill (Kokurikozaka Kara). Estreou no Japão em 2011 e tem previsão para estreia em 2013 nos EUA, enquanto aqui no Brasil vamos ficar babando.
O roteiro é uma adaptação do mangá Tetsuro Sayama e Chizuru Takahashi, que conta sobre uma garota crescendo com o seu pai dado por desaparecido.
A direção fica por conta de Goro Miyazaki, filho do mestre Hayao.

Trailer em inglês:

E aqui fica a minha admiração pela cultura japonesa. Pelas obras de arte na história do cinema que vem de lá, principalmente com desenhos animados. Rezemos para que o Sr. Hayao continue firme e forte e pare de querer se aposentar!

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Cena de “A Viagem de Chihiro”

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Até a próxima!

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Tainá Costa

Tainá Costa

Cinéfila de carteirinha, desde o tempo do Rei Leão, também designer e ilustradora. A resposta é sempre 42.